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Acabei de chegar de uma caminhada rápida no meu bairro aqui em Sobradinho, Distrito Federal. E vou te contar o que aconteceu para eu vir correndo para casa e escrever este artigo. Resumo da ópera: o mercado para jornalistas está ruim para quem não sabe enxergar oportunidades.

Vamos lá. Juntei todas as forças do meu ser sedentário, coloquei um tênis, preparei o fone de ouvido e fui dar uma pequena volta no bairro. Pequena é melhor do que nada. Ainda luto para queimar a ceia de Natal. hahah

Gosto de andar por ruas novas e, dessa vez, passei em frente de uma loja que parecia ser de alimentação, mas não era um restaurante. Parei para perguntar sobre o que era o espaço. A mulher me atendeu com um entusiasmo inspirador e se apresentou como Glau. O lugar era uma pequena cozinha, onde ela fazia marmitex a R$ 10, feita com alimentos saudáveis, sem óleo e blá, blá. Tudo me intrigou, a alegria dela e como poderia lucrar a um precinho tão inho.

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A conversa durou 40 minutos. Em dois anos, o negócio dela cresceu e estava mudando para uma sala comercial ao lado — melhor e maior. E ela não aumentou o preço do produto uma única vez. Espantoso em momento de crise. O segredo, segundo ela, era vasculhar as promoções e escolher o cardápio diário baseado no que comprou no dia anterior.

Tudo interessante até que perguntei sobre as redes sociais. “Quero acompanhar, seguir, curtir…” Não tem site. E a página no Facebook está abandonada. Ela sabe que o faturamento poderia aumentar muito com a divulgação na internet . PLIM! Mil vezes PLIM!

Ela disse que se eu fizesse a gestão da página do Facebook faria negócio comigo. Está aí, companheiro. Uma puta oportunidade para jornalistas que precisam de renda, os desempregados, os desesperados e os nem tanto assim. Pense comigo: poderia ser uma assinatura mensal para gerir redes sociais de microempreendedores do bairro. 1, 2, 5, 10, 20 comércios que precisam de uma força para se promover na internet.

Não é uma ideia nova. Mas… Se você conseguir 10 comércios com uma assinatura mensal de R$ 400, pode faturar mais do que um salário de um repórter de redação, por exemplo. Se você for MEI (Microempreendedor Individual) e pagar R$ 40 por mês, passa a ter nota fiscal, alguns direitos trabalhistas e se livrar dos impostos. Se você se juntar a outros jornalistas que te ajudem no trabalho, poderia fortalecer a rede e gerar mais renda a quem precisa.

Respira que lá vem mais. Vamos supor que você é controlado financeiramente nesse negócio. Ganha R$ 3 mil e gasta R$ 2.500. Investe o restante em um fundo simples do banco e no final do ano pode ter R$ 6.660, mais ou menos. Ai, meu ❤. Eaí dá para reinvestir na sua pequena agência de conteúdo on-line ou continuar poupando. É claro que tem os custos, mas coloque na planilha e avalie. Pode valer muito a pena.

Outro dia eu fui ao sacolão de verduras e sugeri à dona que ela entregasse os legumes fresquinhos (por seleção dela) na casa das pessoas. Muitos clientes sem tempo de ir ao mercado poderiam pedir pela internet. Primeiro, ela ficou animada com a ideia. Depois, triste porque não tinha alguém que pudesse ajudá-la com a divulgação nas redes sociais.

Se você ajuda um microempreendedor, ele te paga, fatura mais, gera emprego, a economia melhora e vira um ciclo de boas ações — que Alisson Vale chama de capitalismo consciente e Henrique Bastos chama de “vida eterna”. haha

Você precisa de pouco para fazer uma graninha. A começar com boa vontade, cara de pau e uma caminhada pelo bairro.


vemachado
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Verônica Machado foi repórter da Câmara dos Deputados e do Correio Braziliense. É jornalista e trabalha há 7 anos com Marketing Digital. Empreende na loja de pratos congelados Delícia Pronta, no projeto de histórias Vidas Contadas e no projeto de educação Jornalista 3.0. Neste último, oferece oito cursos digitais para comunicadores. Lidera uma comunidade de 500 jornalistas engajados em colocar projetos digitais no ar. Em quatro anos, foram 90 ideias concretizadas no Brasil e no exterior. Tem o próprio método de mentoria online, uma agência de mídias sociais e o clube de assinatura de conteúdo, o Clube de Realizadores. Como posso te ajudar?