Assuntar sobre planejamento é propício no início do ano. Muito ouvimos sobre agendas, fórmulas, calendários e metas. Sou a louca dos planners e, posso dizer com segurança, eles não são mágicos. Continuo a procrastinar.

No entanto, descobri o que pode me sacudir. Certamente, você também se beneficiará da reflexão.

Por quê?

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O primeiro ponto é entender por que necessitamos de planejamento. Por que você se interessou por esse artigo? Todo início de ano, ficamos encantados com a possibilidade de fazer tudo novo.

Planejamos porque queremos a ordem no meio do caos cotidiano. Projetamos ter mais dinheiro, perder peso, ser promovido, montar um negócio… Mas, antes de tudo, desejamos aproveitar as oportunidades de um tempo que passa rápido.

Os deuses do tempo

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Na mitologia grega, havia um deus chamado Chronos. Ele simbolizava o tempo cruel e violento que devora os próprios filhos. E o nosso tempo cronológico é exatamente assim. No mesmo instante, ele cria e também destrói a criação com o tic-tac do relógio.

Chronos casou-se com a irmã Reia e ficou irritado ao ouvir a profecia de que um dos filhos o tiraria do poder. Passou, então, a devorar todos os filhos. Um deles, Zeus, conseguiu escapar, venceu o pai e o expulsou do Olimpo, onde governou com imortalidade.

Guarda essa: “o que é imortal derrota o relógio”.

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Havia outro deus do tempo. Esse se chamava Kairós, o Senhor das oportunidades.

Filho de Zeus, era descrito como um belo jovem calvo. Tinha um cacho de cabelos na testa. Era um atleta incomparável com asas nos ombros e nos tornozelos. Corria tão rápido que só era possível pegá-lo pelo topete ou o encarando de frente.

E é bem assim que o tempo oportuno faz na nossa vida. Depois que as chances passam, não voltam mais.

Em resumo, amigos, planejamos para fugir de Chronos e agarrarmos os cabelos de Kairós.

O tempo e a morte

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O tempo é uma energia neutra que nos permite, SIM, derrotá-la e, quem sabe, alcançar a imortalidade com nossas obras.

Obras essas que podemos sinalizar na agenda entre tarefas cotidianas.

Sêneca foi um filósofo barbudão que viveu entre 4 e 65 d.C. Ele escreveu o livro “Sobre a Brevidade da Vida”, uma preciosidade. Em diretas palavras, ele propõe que o verdadeiro planejamento deve fazer você encarar a própria morte. Isso porque é lá, nos últimos segundos, que avaliaremos o quanto conseguimos avançar.

“Ninguém valoriza o tempo, faz-se uso dele muito largamente como se fosse gratuito. Se é fácil administrar o que, embora pouco, é certo, deve-se conservar com muito cuidado o que não se pode saber quando acabará”.

Mais importante do que planejar o ano é projetar o que de relevante vamos fazer com nossa vida.

Por que não cumprimos metas?

Na minha agenda, tenho diversos compromissos do que quero ter e fazer. Mas nada do que quero SER. Quem é a mulher que vou me tornar quando a morte, tão certa, vier? Ops. Parece que deixe o que importa de escanteio.

Se quero ser generosa e paciente, o que devo exercitar em 2020? E com o que devo me comprometer hoje e amanhã?

É um compromisso de trás para frente: primeiro, devo saber quem quero me tornar para a vida valer a pena. Depois, exercito quais tarefas posso cumprir imediatamente para chegar lá.

Sabe o real motivo de eu e você não conseguirmos cumprir as metas e promessas de todo ano?

Para ter e fazer qualquer coisa, antes é preciso SER. Para perder 5kg, preciso ser disciplinada. Para fazer aquela viagem, preciso ser atenciosa com meu controle financeiro. Para eu ter 10 clientes na minha agência, preciso ser humilde e bater na porta de todos os comércios da minha cidade. Para mudar de emprego, preciso ser corajosa.

Memória fragmentada

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Desafio mesmo é lembrar disso. Sim! Você lembra do que planejou em 2019? Confesso que não tenho a menor ideia. Como vou realizar meus planos se nem sequer lembro deles? Sem memorizar diariamente quem queremos nos tornar, todas as agendas são em vão.

Aqui vai uma dica prática: escreva no seu espelho, coloque postit na geladeira e na porta de casa, mude a arte da área de trabalho do computador… Diga para você constantemente quem você quer ser.

No caminho, vamos precisar de uma bússola para nos guiar nesse objetivo. Aceitamos, portanto, o convite do filósofo Cícero: “Certifica-te que és um fator de soma na vida dos demais”.

Antes de dormir, avalie se você somou ou diminuiu nos ambientes e nas vidas das pessoas que conviveu.

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Cientistas descobriram que é possível mostrar os desenhos pintados atrás das grandes pinturas que conhecemos. Foi o caso da Monalisa. Alguns acharam ser mistério de Da Vinci e outros que apenas fez parte do processo de aprimoramento da pintura.

Digo isso porque podemos ser a primeira versão do desenho em busca de se tornar a Monalisa. A obra-prima de nossas vidas — que deve ser planejada em 2021 — somos nós mesmos.


vemachado
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Verônica Machado foi repórter da Câmara dos Deputados e do Correio Braziliense. É jornalista e trabalha há 7 anos com Marketing Digital. Empreende na loja de pratos congelados Delícia Pronta, no projeto de histórias Vidas Contadas e no projeto de educação Jornalista 3.0. Neste último, oferece oito cursos digitais para comunicadores. Lidera uma comunidade de 500 jornalistas engajados em colocar projetos digitais no ar. Em quatro anos, foram 90 ideias concretizadas no Brasil e no exterior. Tem o próprio método de mentoria online, uma agência de mídias sociais e o clube de assinatura de conteúdo, o Clube de Realizadores. Como posso te ajudar?