Sabe aqueles dias que você tem tantas coisas para fazer que não consegue fazer nada? Você fica meio abobalhado, ao ver o tempo passar e a lista de tarefas crescer…Hoje foi assim comigo, colegas jornalistas. Comi, deitei no sofá e me deixei levar por qualquer programação empurrada da TV aberta. O desânimo dominava.

Todas as vezes em que me sinto assim, algo estranho acontece: recebo sinais. São como mensagens de “vamos lá. Não desiste. Força. Coragem”. Pode ser um comentário de um leitor, um trecho de um livro, a conversa com o vizinho. Aí, eu me revigoro e tento salvar o mundo de novo. Hoje não foi diferente.

Estava eu abraçada com meu ócio impenetrável no sofá quando minha mãe pede para assistir alguma coisa no Netflix. Como o pedido é raro, atendi prontamente. Não encontramos nada atraente e optamos pelo o que parecia menos ruim, “Walt, antes do Mickey”. Ela capotou nos 10 primeiros minutos. E eu recebi uma enxurrada de ensinamentos. Trouxe aqui 3 deles.

1 – “Não há substituto para o trabalho duro”

2 – “Se for a realização de um sonho, vai ser difícil”

3 – “Tudo começou com um rato”

Ok.  Mas o que jornalistas tem a ver com isso?

Tudo. Nessa crise toda, é bom pensar em realizar projetos paralelos aos trabalhos fixos ou assumi-los como empreendedorismo, por que não? Jornalistas que prezam por autonomia ou têm qualquer projeto na gaveta merecem os conselhos de Walt Disney. Clichês, sim, e daí?

“Não há substituto para trabalho duro”

Se eu quiser meus projetos no ar, produzir conteúdo excelente e ser reconhecida pelo o que faço, vou ter que ralar muito, bichinho. Gosto da expressão de colocar um tubarão no meu aquário… nadar forte ou já era. Isso dá um ânimo! Vontade de correr atrás do tempo de moleza desperdiçado na preguiça do sofá, sabe? Tanto que estou aqui. hehe

“Se for a realização de um sonho, vai ser difícil

Minha geração está acostumada a ter tudo nas mãos facilmente. Eu nem ouso comparar a história da minha mãe com a minha, quando ela teve que trabalhar desde criança para ajudar a família. Eu, aos 11 anos, já tinha um computador em casa. E aí, ao realizar um projeto legal desistimos por qualquer bobagem, deixamos para depois, no ano que vem, ao me demitirem no passaralho ou cair o dinheiro do freela. Inércia.

Se for sonho, vai ser difícil e não há espaço para pausa, muito menos desistência. Isso se você tiver um sonho, né?! Vejo tantos jornalistas talentosos sem propósito, sem brilho no olho.

“Tudo começou com um rato”

Walt Disney passou fome e comia entre ratos em situações muito difíceis. Lutava diariamente para manter as finanças dos primeiros estúdios de animação. Até que teve uma ideia para a nova história. Seria um ratinho que representava os mesmos ideais do criador, um personagem sonhador. Foi um sucesso, claro. Mas tudo começou com aquele rato lá do início, que dividia a comida do lixo.

Jornalistas precisam olhar para a própria história de vida, estarem sensíveis aos sinais que a vida dá e apostarem nas ideias guardadas na gaveta. Sabe aquele blog? Site? Canal? Jornal? Infinitos projetos inspirados em algum detalhe da infância, hobbies, lutas pessoais. Sempre existe o momento de estalo onde tudo faz sentido.


vemachado
vemachado

Verônica Machado foi repórter da Câmara dos Deputados e do Correio Braziliense. É jornalista e trabalha há 7 anos com Marketing Digital. Empreende na loja de pratos congelados Delícia Pronta, no projeto de histórias Vidas Contadas e no projeto de educação Jornalista 3.0. Neste último, oferece oito cursos digitais para comunicadores. Lidera uma comunidade de 500 jornalistas engajados em colocar projetos digitais no ar. Em quatro anos, foram 90 ideias concretizadas no Brasil e no exterior. Tem o próprio método de mentoria online, uma agência de mídias sociais e o clube de assinatura de conteúdo, o Clube de Realizadores. Como posso te ajudar?